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terça-feira, 7 de abril de 2015

Arqueologia Do Fogo / Soneto Rubro * Antonio Cabral Filho - Rj

SONETO RUBRO
e outros versos
*
Arqueologia do Fogo

No meio do caldeirão
Ninguém sente o calor
Das palavras...

Âmago do magma sintático

Mas é sempre tarde
Quando se dão conta
Do seu estado de cinzas.

*

domingo, 5 de abril de 2015

POLÍTICA HABITACIONAL / SONETO RUBRO * Antonio Cabral Filho - Rj

SONETO RUBRO
e outros versos
*
Política Habitacional

Qualquer dia desses
Sem a minha casa
Nem a tua vida
Vou ao “Balança”
Dar chilique
Aos gritos “chega
De balança mas não cai!”.
Hoje, tudo vai a pique.

*

sábado, 4 de abril de 2015

PASSEIO PATAXÓ / Soneto Rubro * Antonio Cabral Filho - Rj

SONETO RUBRO
e outros versos
*
Passeio Pataxó

Mas, por falar em viagens,
Há os que preferem Londres,
E eu torço para que eles
Não só visitem Londres,
Mas que se mudem para lá,
Porque eu, eu, prefiro
Perscrutar o tempo
No domingo de manhã
Pensando nas Serras do Camorim,
No Açude do Camorim,
No Pico da Pedra Branca,
No Morro Dois Irmãos,
No Rio Grande, descendo
Do Pico do Pau da Fome,
Enquanto preparo sandubas,
Que serão devorados
À beira d’água
Bem na frente dos lambaris
Com os quais dividi-los-ei...
Mas jamais porei meus pés nativos
N’alguma urbis européia
Pois não tenho meu umbigo
Soterrado em além-mar.

*

quinta-feira, 2 de abril de 2015

MARULANDA DO VERSO / SONETO RUBRO E OUTROS VERSOS * Antonio Cabral Filho - Rj

SONETO RUBRO E OUTROS VERSOS
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Marulanda do Verso

Eu não sabia,
Mas Drummond provou que sim:
O poeta anda armado,
Leva em cada uma das mãos
Um poema engatilhado
E desfila serelepe
Qual vedete do Soleil
E por mais que eu grite:”
Puliça, não vai detê-lo?”
Eu acabo a ver navios.

*

terça-feira, 31 de março de 2015

SONETO RUBRO E OUTROS VERSOS * Antonio Cabral Filho - Rj

SONETO RUBRO E OUTROS VERSOS
*
                                        Soneto Rubro

Não discuto o racismo
Do soneto, branco;
Antes, quero saber
Onde se esconde
A estética dos alijados.

Com ela quero fazer
Muito verso, pé quebrado,
Todos bem coroados
de cocares Guaranis
para que sejam sinais
durante todo o caminho
e ajudem meu povo
a encontrar Pindorama,

e livrar-se de uma vez
da estética opressora
que hostiliza nossa arte
com a pecha de primitiva,
ingênua, popular,

só para submetê-la
à sua arte vazia,
sem referência real
e por que ela não se encaixa
em suas estéticas acadêmicas.

E, não adianta xingar o meu verso
De estética mal-humorada,
Que enquanto houver exclusão
Contra a estética natural,
Eu ignorarei a estética
Do soneto, branco.

 *