sexta-feira, 3 de abril de 2015

TRANSITÓRIO / Soneto Rubro E Outros Versos * Antonio Cabral Filho - Rj

SONETO RUBRO
e outros versos
*
Transitório

Linda menina
Padrão topmodel
Decora o calçadão
De pedras portuguesas
Com seu andar de garça
E ao cruzar com o peão de obra
Ainda um tenro operário
Que realiza o palco
Do seu desfile
Vira  o rosto
Para o lado oposto
Quiçá pra não tingir
Suas retinas de realidade
E segue sua marcha solitária
Mas talvez ela nem saiba
Que sua estirpe representa
O passado sórdido
Da sociedade racista
Tantas vezes batido
No campo de batalha.

*

quinta-feira, 2 de abril de 2015

MARULANDA DO VERSO / SONETO RUBRO E OUTROS VERSOS * Antonio Cabral Filho - Rj

SONETO RUBRO E OUTROS VERSOS
*

Marulanda do Verso

Eu não sabia,
Mas Drummond provou que sim:
O poeta anda armado,
Leva em cada uma das mãos
Um poema engatilhado
E desfila serelepe
Qual vedete do Soleil
E por mais que eu grite:”
Puliça, não vai detê-lo?”
Eu acabo a ver navios.

*

quarta-feira, 1 de abril de 2015

PIZARIA BRASIL / SONETO RUBRO E OUTROS VERSOS * Antonio Cabral Filho - Rj

SONETO RUBRO E OUTROS VERSOS
*
Pizzaria Brasil

Marechal Castelo Branco,
Serviçal do imperialismo,
Jamais conseguiu ser franco
Pregando o nacionalismo.

Foi pego no fogo amigo
Do General Costa e Silva,
Que sem ter ninguém consigo
Se f...deu de verde e oliva.

Mas como tudo que excede-se
Pintou logo a solução;
Puxaram à frente o Médice
Aumentando a repressão.

Quem crê, tem santo a que rogue,
Como fez o judeu Weizel,
Que após a morte do Herzog
Interrogou: Qual é Geizel?

Este, sem engano ledo,
Apelou para os profetas
E chamou o Figueiredo:
Segura aí as diretas!

Depois, todo mundo sabe,
Sai o quepe, entra a gravata.
Mas antes que o mundo acabe,
Pizzarolo é que se mata.
 *

terça-feira, 31 de março de 2015

SONETO RUBRO E OUTROS VERSOS * Antonio Cabral Filho - Rj

SONETO RUBRO E OUTROS VERSOS
*
                                        Soneto Rubro

Não discuto o racismo
Do soneto, branco;
Antes, quero saber
Onde se esconde
A estética dos alijados.

Com ela quero fazer
Muito verso, pé quebrado,
Todos bem coroados
de cocares Guaranis
para que sejam sinais
durante todo o caminho
e ajudem meu povo
a encontrar Pindorama,

e livrar-se de uma vez
da estética opressora
que hostiliza nossa arte
com a pecha de primitiva,
ingênua, popular,

só para submetê-la
à sua arte vazia,
sem referência real
e por que ela não se encaixa
em suas estéticas acadêmicas.

E, não adianta xingar o meu verso
De estética mal-humorada,
Que enquanto houver exclusão
Contra a estética natural,
Eu ignorarei a estética
Do soneto, branco.

 *